por Katia Parente

A fuga atrás de uma lenda

Ao ver no noticiário pessoas fugindo da Ucrânia em direção à Romênia e outros lugares, para se proteger de uma guerra, não pude conter as lágrimas. Difícil imaginar uma situação assim, fugir do próprio país para não morrer com uma bomba na cabeça. Não aguentei ver até o final e desliguei a TV.

Tentando distrair a mente, sentei para ler um livro e aproveitei para abrir um vinho. O calor seco de um dia de outono me convidou a um rosé, que estava guardado na adega. Nem me lembrava onde tinha comprado, ou se havia ganhado. Curiosamente, o vinho era romeno.

Decidi que seria uma excelente oportunidade para uma homenagem e um brinde à paz, mesmo que fosse sozinha. Abri o vinho gelado e o derramei na taça, que se coloriu de um rosa vibrante. Dei um gole e fiz um aceno com a taça para a janela, em direção ao céu, pedindo o bem daquelas pessoas.

Abrindo o livro, logo estava me aventurando com Lua, personagem principal que também fugiu de sua casa, não por causa de uma guerra, mas para salvar um cachorro de ser sacrificado. No entanto, havia um motivo a mais que não conseguia explicar. Queria sair dali e procurar por algo em direção ao pôr do sol, pois uma energia a chamava naquela direção.

Como todos aqueles que fogem, ela não imaginava o que viria pela frente, recebeu ajuda e passou por novas experiências, até ser direcionada para um outro mundo.

O Vale Seco por onde caminhou na companhia de Melado, o cachorro, e de Carlos o cientista que trabalhava numa indústria de papel, provocou sede e dei mais um gole no vinho.

Aos poucos fui descobrindo os motivos de Lua ter fugido, assim como descobri que a indústria de papel não era bem o que parecia e o vinho se tornou uma ótima companhia para essa viagem rumo à novas descobertas.

 

Livro: A Lenda do Vale Seco, Katia Parente